O Nascimento de nossa HQ!

Making Off das etapas finais da produção. Saindo da impressora, na caixa e esperando para chegar em suas mãos!

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Boneco com prova de cores ok.

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Imprimindo !

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Secando!

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Exemplares encaixotados e entregues!

10354791_10154242081730788_7544581079553293651_n-1                                                                     Primeira caixa aberta!

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Exemplares conferidos e aprovados!

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Fritz, o temível guardião do tesouro até o lançamento!

VIGOR MORTIS COMICS 2

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Vigor Mortis Comics 2 – Sangue, suor e nanquim tem roteiro de Paulo Biscaia Filho e  José Aguiar e foi desenhado por José Aguiar, DW Ribatski e André Ducci. Este é um projeto realizado pela Quadrinhofilia Produções Artísticas através do Programa de Apoio e Incentivo à Cultura, da Fundação Cultural de Curitiba, com incentivo do Banco do Brasil.

Aguiar e Biscaia escreveram juntos o primeiro volume de Vigor Mortis Comics, publicado em parceria pela Quadrinhofilia e Zarabatana Books. Essa antologia de oitoHQs com personagens vindos do repertório da companhia de teatro (a peça e filme Morgue,Story – Sangue, Baiacu e Quadrinhos, Graphic, entre outras) que contou também com a arte do quadrinista DWRibatski e de José Aguiar nos desenhos.

Em 2014, Vigor Mortis Comics 2 – Sangue, suor e nanquim leva adiante os experimentos narrativos e estéticos do livro anterior, agora contando com um novo artista no elenco, o quadrinista André Ducci. Esta história original e inédita é fruto de um encontro de personagens do internacionalmente premiado longa-metragem independente Nervo Craniano Zero e da peça Seance – As Algemas de Houdini.

_MG_2309Cena do longa-metragem Nervo Craniano Zero

“Este é um projeto transmidia como nunca foi feito no Brasil. Em outros mercados, como o norte-americano, é comum quadrinhos que fazem “prequels” ou sequencias que expandem universos ficcionais. Seja Star Trek, Star Wars ou games. Mas partir do teatro como fonte criativa é uma característica particular do que fazemos. A história que narramos neste segundo livro se passa antes do fime Nervo Craniano Zero, que nasceu da peça de mesmo nome. Ao mesmo tempo a HQ cronologicamente se passa após a peça Seance. Mas nossa HQ trata-se de um produto independente, sem amarras, que pode ser lido tranquilamente por quem não viu o filme ou as peças. Claro que, quem já os conhece, terá uma experiência única.” – explica o coautor e editor José Aguiar._MG_5005

Cena de Seance – As Algemas de Houdini

Sobre Vigor Mortis Comics 2 – sangue, suor nanquim:

O ano é 1969, em um país que vive sob um regime opressor. Bruna Bloch é estudante de jornalismo e escritora nas horas vagas. Isto é, nos poucos minutos que ela tem entre aulas, viagens alucinógenas, orgias, entrevistas com assassinos seriais e dar conta de vingar a morte de sua irmã. Nesses raros momentos que lhe sobram, ela rascunha a história de Lavínia, uma enfermeira solitária com poderes paranormais. Uma história violenta e sangrenta, recomendada para leitores a partir de 16 anos.

“Ao contrário do primeiro volume, onde criamos episódios isolados, mas ligados por elementos e personagens em comum, agora contamos uma grande história, mas com uma outra grande história dentro da primeira. Num projeto que lida com referências a mídias diversas não poderíamos deixar de abusar um pouco de metalinguagem para expandir a experiência do livro anterior, onde em meio a diversos temas, já brincávamos com autores e sua relação com seus personagens fictícios. Voltamos no tempo e contextualizamos esses personagens de forma que o leitor desta HQ não precise obrigatoriamente ter lido o primeiro Vigor Mortis Comics ou ter visto os espetáculos e filmes para ter bagagem para curti-la.” – explica Paulo Biscaia Filho, coautor do livro.

 

LANÇAMENTO NACIONAL DIA 8 DE JULHO DE 2014

Mesa-redonda com os autores e sessão de autógrafos as 20h na Gibiteca de Curitiba.

Solar do Barão – Rua Carlos Cavalcanti, 533 – Centro.

Vigor Mortis (em) Comics

Caro leitor, se você não é daqueles mais afoitos que curte antes os extras e depois o a atração principal, então você já conhece Bruna Bloch. A perversa personagem da peça e filme Nervo Craniano Zero que protagoniza este ‘prequel’ em quadrinhos. Espere!

Você ainda não sabe que esta HQ na verdade se passa antes do filme? Ou que ele é a adaptação de uma peça teatral? Nem  que Vigor Mortis (sem o Comics) é uma companhia teatral?

Legal!

Então permita-me fazer as honras. Essa mistura toda começou em 1997, quando Paulo Biscaia Filho fundou em Curitiba a companhia Vigor Mortis como um espaço de experimentação das teorias do horror do Grand Guignol em teatro. Ao longo destes anos, o grupo vivenciou desdobramentos de narrativas sangrentas em teatro, cinema e nos quadrinhos. Estes últimos capitaneados por José Aguiar, da Quadrinhofilia.

Em 2011 eles escreveram juntos Vigor Mortis Comics, uma antologia de oito HQs com personagens vindos de diversas peças do repertório da cia de teatro. Em particular de Graphic e Morgue Story – sangue, baiacu e quadrinhos, dois grandes sucessos de público e crítica. Naquele experimento em quadrinhos fortaleceu-se a ideia que já havia um universo ligando personagens antes aleatórios. Transpostos para as páginas impressas eles tiveram sua chance de viver “aventuras” inéditas e impossíveis de serem realizadas nos palcos. O resultado rendeu excelentes críticas e repercussão no meio dos quadrinhos. Além de deixar aquele sangrento gostinho de “quero mais” na garganta de todos.

Ao contrário do primeiro volume, onde criamos episódios isolados, mas ligados por elementos e personagens em comum, neste Vigor Mortis Comics 2 contamos uma grande história, mas com uma outra grande história dentro da primeira. Num projeto que lida com referências a mídias diversas não poderíamos deixar de abusar um pouco de metalinguagem para expandir a experiência do livro anterior, onde em meio a diversos temas, já brincávamos com autores e sua relação com seus personagens fictícios. Aqui acompanhamos as aventuras de Bruna Bloch enfrentando o misterioso Homem de Terno e a Dra. Stella Zorn. Esta história é fruto de um crossover de personagens das obras Nervo Craniano Zero (peça e filme) e da peça Seance – As Algemas de Houdini. Voltamos no tempo e contextualizamos esses personagens de forma que o leitor desta a HQ não precise obrigatoriamente ter lido o primeiro Vigor Mortis Comics ou  ter visto os espetáculos e filmes para ter bagagem para curti-la. Para  a alegria de quem já leu o primeiro Vigor Mortis Comics ou acompanha as produções da cia teatral Vigor Mortis existem pequenas participações que ficam como easter eggs.

A peça Nervo Craniano Zero foi encenada pela primeira vez em Julho de 2009, no teatro da Caixa Cultural de Curitiba. O elenco contava com Michele Pucci, no papel de Bruna Bloch; Rafaella Marques, no papel de Cristi Costa e Simone Martins, no papel da Dra. Barbara Bava. No ano seguinte, em uma segunda versão da peça, a personagem da Dra. Bava se transformou em homem e virou Dr. Bartolomeu Bava, vivenciado em cena pelo ator Leandro Daniel Colombo.

Nervo Craniano Zero conta a história de Bruna Bloch, uma escritora de sucesso que, temendo fracassar em seu próximo livro, contrata os serviços de seu ex-namorado, um neuropesquisador que desenvolveu o infame chip Melpomene. Uma invenção que, quando instalada no tal Nervo Craniano Zero, causa surtos de criatividade incomparáveis. Antes de implantar o chip, Bruna quer ver seu funcionamento em um ser humano. Para isso ela contrata a simplória Cristi Costa como sua cobaia. Os resultados da experiência… Ei, sem spoilers! Veja o filme! Antes, confira o trailer aqui:

A bizarra aventura de Bruna, Cristi e Bartolomeu foi levada para as telas de cinema em 2012 com Guenia Lemos, no papel de Bruna Bloch, Uyara Torrente, no papel de Cristi, e Leandro Daniel Colombo reprisando seu Bartolomeu Bava.

A versão de Nervo Craniano Zero para o cinema foi internacionalmente premiada diversas vezes:

  • Melhor Filme e Melhor Atriz (Uyara Torrente)  no Montevideo Fantastico (Uruguay)
  • Melhor Filme Estrangeiro no Another Hole in The Head (San Francisco, California, EUA)
  • Melhor Diretor no New Orleans Horror Film Festival (EUA)
  • Melhores Efeitos no Thriller! Chiller! (Grand Rapids, MI, EUA)
  • 05 Tabloid Witch Awards, oferecido pelo site Hollywood Investigator:
    • Melhor Filme
    • Melhor Atriz (Guenia Lemos)
    • Melhor Edição
    • Melhor Direção de Arte
    • Melhores Efeitos.

A ideia para a história central deste Vigor Mortis Comics 2, veio numa constatação cronológica entre personagens. Nervo Craniano Zero se passa em um “futuro do pretérito” no ano de 1983. 14 anos antes, em 1969, aconteciam os eventos narrados na peça “Seance – As Algemas de Houdini”, quando Bruna era apenas uma jovem estudante na faculdade de Jornalismo.

“Seance” teve sua estreia em setembro de 2011 no Espaço 2, em Curitiba, com Luiz Bertazzo, no papel do Homem de Terno, Rubia Romani, no papel de Stella Zorn, Guenia Lemos no papel de Madame Margueritte,  Andrew Knoll, no papel de Charles Cavalier e Luiz Carlos Pazzelo, no papel do Padre Lucas. Seance trazia a história de um grupo de pessoas que é levado a um centro de tortura de um governo ditatorial para resolver um problema sobrenatural. Você pode ver um vídeo com o registro de uma apresentação completa de Seance clicando aqui.

Além do torturador “Homem de Terno” e da enlouquecida Dra Stella Zorn, você encontrará aqui no livro a personagem da médium Madame Margueritte que ganhou um grau de parentesco como irmã de Bruna Bloch. A ideia de juntá-las na mesma família veio pelo fato de que ambas as personagens foram interpretadas pela mesma atriz: Guenia Lemos. Com esta premissa, os universos de Nervo Craniano Zero e Seance estavam unidos! A “história dentro da história”, o livro que Bruna escreve, conta as desventuras de Lavínia. É um personagem novo que tem sua estreia nesta HQ. A misteriosa enfermeira com o poder de ressuscitar os mortos por 60 segundos voltará em breve em uma nova produção da Vigor Mortis. Aguarde!

Feitas as introduções e contextualizações, convidamos você para conhecer mais sobre a Vigor Mortis no site www.vigormortis.com.br. Nele você pode adquirir também os filmes Morgue Story e Nervo Craniano Zero que inspiraram nossos quadrinhos.

* Paulo Biscaia Filho e José Aguiar, além de parceiros no crime com a série Vigor Mortis Comics, criaram em Curitiba o Cena HQ. Projeto que desde 2012 realiza leituras dramáticas e debates sobre graphic novels nacionais e estrangeiras. Saiba mais clicando aqui.

Posfácio Vigor Mortis 1 por Fernanda Baukat

Vigor Mortis Comics: uma espiral multimídia

Grand Guignol era o nome do lugar onde funcionava a oficina de experimentação teatral de Oscar Métenier em Paris, inaugurado no dia 13 de abril de 1897. Para tentar propiciar uma maior autenticidade da representação, nessa oficina, era defendida a supressão dos limites estabelecidos pelas convenções cênicas da época. Por conta disso, a concepção do espaço teatral e a estruturação das cenas eram hiper-realistas, com atores que estavam livres para se movimentar no palco, agindo não como um ator que pretende “representar” seu papel na peça, mas que tem a intenção de estar vivendo os acontecimentos encenados como na realidade, ou seja, como se não estivesse no palco. Esse processo, aliado à invenção da direção teatral nos fins do século XIX e à atração do público burguês pelo leitmotiv do horror e sexo, impulsionou a estética do teatro Grand Guignol, atingindo a forma com a qual ela chegou a nós na contemporaneidade – obtida pela exploração de emoções provocadas no público através de situações obscenas e exageradas.

O Grand Guignol, como gênero, é a principal linha de estudo da Vigor Mortis, companhia de teatro curitibana dirigida por Paulo Biscaia Filho, que possui também outras referências para a composição de sua obra – como o cinema e as histórias em quadrinhos. Revisitando o teatro Grand Guignol, essa companhia usa elementos como a perversão e o horror, com os temperos modernos da cultura pop e do humor. Além disso, faz referências explícitas ao ritmo da linguagem das histórias em quadrinhos, à estética dos filmes de cineastas como Quentin Tarantino e Sam Raimi e às produções do cinema de suspense, terror e ficção científica trash das décadas de 70 e 80.

As peças escritas por Biscaia seguem por caminhos semelhantes àqueles de Tarantino, ao transformar o banal em algo interessante e inusitado. Seus personagens são, no geral, perdedores que possuem desde ambições comuns até as mais desvairadas, ou degeneradas. Ao revirar a cultura de massa, Biscaia recolhe matéria-prima para construir universos pessoais absurdos, porém plausíveis.

Falando especificamente das referências oriundas das histórias em quadrinhos, podemos citar as revistas Kripta, cujas histórias inseriam o terror no cotidiano das pessoas comuns, e Dylan Dog, revista italiana de histórias em quadrinhos de terror, que mistura elementos do cinema e da literatura fantástica.

Na peça Morgue Story – Sangue, Baiacu e Quadrinhos, com estreia em 2004, há a aparição de outros personagens que não estão fisicamente em cena, mas aparecem em vídeo e, assim, contracenam com os atores no palco. O formato dos quadrinhos é usado como referência para a composição desses vídeos. Desse modo, dentro dos parâmetros da produção cultural contemporânea, a natureza multimidial do teatro é acentuada, marcada pela combinação da arte com outras tecnologias. Sendo que, nesse processo, o mais inusitado é a utilização das histórias em quadrinhos, devido à essência dessa forma de arte cujo suporte é tradicionalmente o papel. Esse recurso, além de estético, transforma-se, no palco, em metalinguagem. Explico: a utilização da projeção da página, dos quadrinhos e balões no espaço cênico simboliza o mundo da personagem Ana Argento, artista que trabalha desenhando para uma revista em quadrinhos cuja temática é a de zumbis. Essa personagem, por ironia, acaba vivenciando uma experiência com zumbis “de verdade” ao passar por um falso acometimento de catalepsia, experiência que a leva a se deparar com um cataléptico verdadeiro.

Mas, além da existência de elementos de outras mídias nas suas peças teatrais, o grupo Vigor Mortis decide, em 2009, transformar a peça Morgue Story num filme independente. E, após a adaptação fílmica dessa peça, há também a utilização do universo dos personagens da Vigor Mortisneste projeto, Vigor Mortis Comics, desenvolvido durante o ano de 2010, em parceria com a Quadrinhofilia Produções Artísticas.

Essa nova proposta envolve a criação de histórias em quadrinhos inéditas, visando expandir o universo comum dos personagens da companhia a partir de histórias independentes das tramas das peças em que estes foram originalmente inseridos.

O repertório das peças da Vigor Mortis gerou ao longo dos anos, de modo informal, um microcosmo onde os personagens da maioria dos espetáculos coexistem em citações, cenários ou nomes, como se houvesse um universo fictício que serve de lar a todos eles.

A espinha central desse “universo” Vigor Mortis Comics são os espetáculos Morgue Story – Sangue, Baiacu e Quadrinhos (2004) e Graphic (2006). Em ambos os textos há um personagem de quadrinhos que é parte integrante da vida dos personagens de cada peça: em Morgue Story temos Oswald, O Morto-Vivo, criação comercialmente bem-sucedida de Ana Argento; em Graphic temos o Homem-Sombra, personagem de Artie, ex-aluno frustrado de Ana. Esse personagem, por sua vez, cruza-se com outros no mesmo espetáculo, criando quase um contraponto a Morgue Story, por tratar de desenhistas frustrados cujas vidas tiveram certa influência de Ana Argento e seu personagem sobrenatural. Agora, no Vigor Mortis Comics, eles se deparam com personagens originários de outros espetáculos, como: Snuff Games (2004) e Garotas Vampiras Nunca Bebem Vinho (2007), igualmente produzidos pela Vigor Mortis.

Ao criar essa série de novas histórias, desvinculadas dos textos originais das peças teatrais, Biscaia, em parceria com o quadrinista José Aguiar, criou roteiros para um universo autônomo que, apesar de vinculado à contraparte teatral e fílmica dos personagens, permite outros voos criativos que só seriam possíveis no suporte do papel. Assim, fecha-se um ciclo em que o universo da companhia Vigor Mortis, que surge inspirado nos quadrinhos, torna-se peça teatral, é adaptado para as telas e, por fim, transforma-se em uma de suas fontes: uma história em quadrinhos.

A obra dessa companhia, como já explicitado, é marcada pela intertextualidade e também pela hipertextualidade, já que este é um aspecto universal da obra literária e, por que não, de qualquer obra de arte. Podemos notar que o que ocorre com a obra da Vigor Mortis é, como define Gérard Genette, uma “operação de transformação”, tanto pelo eco das obras cinematográficas e pelos quadrinhos, que a servem de referência, quanto pelo próprio gênero, o Grand Guignol, revisto e reinterpretado pelo grupo a partir de um olhar contemporâneo.

No fim desse processo surge esta obra que agora está em suas mãos e que, além dos temas caros à Vigor Mortis, fala também sobre as diferentes faces das histórias em quadrinhos: o profissional de sucesso, o aspirante e seu aprendizado.

Prefácio Vigor Mortis 1 por Paulo Biscaia

Olho para cima e vejo um ícone de avião, e uma linha tracejada vermelha mostra que em breve sobrevoaremos Bogotá.

Não.

Preciso começar antes. Bem antes.

Era um outro voo. 1995.

Eu estava no Boeing da Varig voltando para o Brasil depois de concluir o mestrado na Royal Holloway University of London. Por todo o ano letivo anterior, meus colegas zombavam – ainda que de forma respeitosa – do tema da minha pesquisa: Grand Guignol, o teatro de horror de Paris.

Falar sobre mutilações e decapitações não parecia ser nem muito acadêmico nem mesmo muito teatral.

Não me importei um segundo com as zombarias. Ao contrário, caros rapazes.

Comecei em 1996 minha carreira no corpo docente da Faculdade de Artes do Paraná. Lugar que serviu de panela de pressão para criar a Cia. Vigor Mortis junto com colegas do corpo discente.

1997. Estreamos PeeP, uma peça sobre serial killers com ares pretensiosos de vanguarda. Necessária, mas artisticamente mentirosa.

Eu queria fazer algo que ecoasse o que eu senti lendo The Dark Knight Returns (Batman – O Cavaleiro das Trevas), de Frank Milker, ou vendo Evil Dead (A Morte do Demônio), de Sam Raimi. Levei outros sete anos para conseguir fazer isso de verdade.

 

A aeromoça disse para apertar o cinto, pois vamos passar por uma área de turbulência. O vento de proa é de 18 km/h. O que quer que isso queira dizer. 

 

Morgue Story – Sangue, Baiacu e Quadrinhos estreou no Espaço Dois em Curitiba e foi a primeira coisa 100% verdadeira que eu disse em minha vida como autor e diretor de teatro. Juntei em uma peça tudo o que eu gostava: zumbis, cultura pop trash, cinema, sangue e… quadrinhos. Quem se responsabilizou por essa parte foi um empolgante artista de HQs que conheci nos corredores da FAP tocando o tema de Smallville no violão. Um sujeito com os melhores passos de dança na pista que já vi, e que atende pela alcunha de DW. Pois é. Esse cara foi o criador do visual de Oswald, o personagem da quadrinista Ana Argento, protagonista de Morgue Story.

Durante aquela primeira temporada, centenas e centenas de dóceis psicopatas como eu passaram pela plateia do Espaço Dois. Um deles era outro egresso do curso de Artes Visuais da FAP e professor de quadrinhos do DW. Esse outro meliante do nanquim me manda um email confessando sua conivência com o que Morgue Story era e, como agravante, comete a pachorra de discordar de mim ao dizer que Duro de Matar 2 era uma bosta. Esse celerado, que faz par perfeito com a Sra. Fernanda, costuma assinar como José Aguiar.

 

Passamos por cima da Cordilheira dos Andes e agora sobrevoamos Medellín. 

 

Em 2006, com o sinalverde para mais uma produção, nós da equipe da Vigor Mortis (na época eu, o Leandro Daniel Colombo, a Carolina Fauquemont, a Rafaella Marques e o Guilherme Sant’ana) viramos alunos de desenho do DW. Era o período de pesquisa para a construção da dramaturgia de Graphic.

Dessa vez o Aguiar pulou junto no barco e criou os desenhos do Homem-Sombra, personagem do personagem Artie.

 

Passagem de tempo. Agora no voo CO 1407 para San Jose, assento 14 A. Não existe fila 13. Da 12 pula direto para a 14. Isso quer dizer que eu estou numa falsa fila 13? 

 

Mais do que nunca, a Vigor Mortis namorava a arte sequencial. Não apenas um flerte, mas malhos pesados. A linguagem de quadrinhos ficou associada intimamente à linha estética da companhia, e mesmo trabalhos que não faziam referência direta a essa linguagem – como em Morgue Story e Graphic – não deixavam de apresentar uma certa safadeza e inconsequência mais típicas de revistas em quadrinhos do que dos palcos.

A assumida canastrice do cafetão Freddy Duran e da estrela pornô Ursula Undress da peça Snuff Games.

O universo quase “scoobydoobiano” da policial Wanda Wozniak da peça Garotas Vampiras Nunca Bebem Vinho.

Esses seres – criados inicialmente por mim e pelo elenco – tinham vida possível além dos palcos. Eles surgiram a partir de uma lógica que pode ser mais bem analisada por Scott Mcloud do que por Hans-Thies Lehmann. Em um universo que está mais para Ed Wood do que para Godard. Um texto que está mais para Alan Moore do que para Roland Barthes.

É por isso que a vida definitiva desses personagens estava esperando para ser gerada pelo José e pelo DW.

 

Corta para: apartamento da Fell Street número 847 em San Francisco, California. 20:49. A Vigor Mortis se prepara para sua primeira parceria com a companhia californiana Thrillpeddlers. Coisas interessantes estão por vir com essa parceria. 

 

A efemeridade da apresentação teatral se destrói aqui. Essa nova perenidade que a Vigor Mortis estabelece só existe por conta de parcerias de criação. Não apenas com o José e o DW, mas com os intérpretes: Mariana Zanette, Rafaella Marques, Michelle Pucci, Carolina Fauquemont, Wagner Correa, Anderson Faganello e o assustador Leandro Daniel Colombo. Isso sem falar na colaboração de todos os anônimos (alguns nem tão anônimos assim) não ficcionais que, além de seus traços peculiares, inspiraram a criação das idiossincrasias desses personagens.

P.S.: Corta para: Texto ficou “na gaveta” por um mês. Agora, revisado, em Curitiba, e prestes a ser enviado para o email do José. É bom estar de volta. Novas criaturas foram criadas.

As histórias incluídas aqui podem ser vistas de duas formas: como um complemento às montagens da Vigor Mortis, mas, principalmente, como uma reunião de criaturas pertencentes a um universo que é muito caro a todos os envolvidos neste processo de criação em camadas. Se você está lendo este texto, provavelmente é porque você também gosta deste universo “pop-tosco” da Vigor Mortis. Então, vire para a próxima página e aplique a camada final de criação.